FEIPOL-SUL

FEDERAÇÃO INTERESTADUAL DOS TRABALHADORES POLICIAIS CIVIS DA REGIÃO SUL

No dia 8 de março, o mundo inteiro comemora o Dia Internacional da Mulher. É o dia das mulheres policiais gaúchas comemorarem as várias conquistas conseguidas até aqui. Mas, principalmente, de lembrarmos os direitos que conquistamos e que estão colocados em risco. Várias ameaças estão colocadas para as mulheres policiais.

Em nível nacional, a reforma da Previdência, apesar de abandonada temporariamente pelo governo Temer, ainda é uma ameaça que pode ser retomada a qualquer momento. Com ela, uma das principais conquistas das mulheres, o direito a uma aposentadoria diferenciada, que reconhece a dupla jornada exercida pelas mulheres, está colocada em risco.

Aqui no nosso estado, a aposentadoria da mulher policial vem sendo constantemente colocada em risco. Um Parecer elaborado pela PGE (Procuradoria Geral do Estado), a pedido do governo Sartori/MDB, questiona concretamente a constitucionalidade desse direito conquistado com muito luta e garantido na Constituição de 1988. Essa posição é uma crueldade com mulheres que dedicam sua vida a garantir a segurança da população. Além de um direito garantido na Constituição de 1988, a aposentadoria da mulher policial é um reconhecimento ao trabalho de mulheres que colocam sua vida em risco diariamente.

Além dos ataques a que são submetidas nos seus trabalhos, a violência que assume índices alarmantes, atinge prioritariamente as mulheres. Com exceção dos homicídios, todos os outros tipos de violência – desde a patrimonial à física – têm mulheres como principais vítimas. Tal violência se fundamenta na desigualdade de gênero, ou seja, no aparente status inferior que mulheres têm em nossa sociedade, e incide de forma ainda mais aguda em mulheres negras, como as demais assimetrias sociais.

A Polícia Civil ainda tem muito que avançar no respeito ao trabalho das mulheres policiais

Apesar de conquistas importantes, a instituição policial ainda tem muito o que avançar no reconhecimento ao trabalho das mulheres policiais. O assédio moral ainda é uma realidade na Polícia Civil gaúcha. Casos de mulheres constrangidas diariamente ainda são comuns. As mulheres ainda têm que provar que são melhores que os outros para serem reconhecidas como policiais capazes. Infelizmente, os valores cultivados no trabalho policial, ainda são os valores masculinos. Mesmo questões aparentemente básicas, como o reconhecimento da tipificação de feminicídio em Boletins de Ocorrência, são questionadas dentro da própria polícia.

Além dessas questões mais óbvias, questões aparentemente pequenas ainda dificultam o trabalho das mulheres na Polícia Civil. A não adaptação de equipamentos de trabalho à especificidade do corpo das mulheres, a falta de compreensão com a maternidade das mulheres policiais, a diferenciação das questões de saúde das mulheres e várias outras especificidades femininas ainda não são levadas em conta no trabalho policial.

Apesar de todas as dificuldades as mulheres continuam ocupando seu espaço na Polícia Civil

Mesmo com todas as dificuldades e obstáculos, a luta das mulheres tem feito a presença feminina ser cada vez mais importante dentro da Polícia Civil. Hoje, é cada vez mais comum a presença de mulheres em posições importantes dentro da Polícia Civil, apesar dos postos de comando ainda serem ocupados majoritariamente por homens. Esses espaços ocupados são resultado da luta das mulheres e não uma concessão do estado. Além disso, essa presença é de extrema importância para a qualificação do trabalho policial.

A diretora de Gênero da UGEIRM, Magda Lopes, lembra que “o 8 de março é fundamental para celebrarmos nossas conquistas. Porém, é mais importante ainda para nos lembrar do muito que ainda temos para caminhar. Demos muitos passos até agora, muitas conquista foram conseguidas. A própria presença de mulheres em todos os locais da Polícia Civil é uma grande conquista, impensável há trinta anos atrás. Mas isso ainda não é o suficiente. Vamos continuar lutando diariamente por nossos espaços. Vamos continuar nos ajudando e nos apoiando mutuamente para continuarmos conquistando espaços. Em toda a história da Polícia Civil nunca tivemos uma mulher Chefe de Polícia. Será que não existem mulheres capazes na Polícia Civil? Ou será essa mais uma face da discriminação das mulheres e do machismo nas relações de trabalho? A ocupação de postos de comando quase exclusivamente por homens não é natural. E nós, mulheres, não podemos aceitar isso sem questionar”.