FEIPOL-SUL

FEDERAÇÃO INTERESTADUAL DOS TRABALHADORES POLICIAIS CIVIS DA REGIÃO SUL

Giovana Fleck

“Eu quero ser super heroína pra dar casa e moradia pra todas as mulheres que precisam.” Thamilly tem 6 anos. Junto com sua mãe, Lilian, e seus irmãos, viveu a reintegração de posse da Ocupação Lanceiros Negros na Rua General Câmara. Assim como outras centenas de meninas e mulheres, Lilian e Thamilly fizeram parte da Marcha das mulheres do campo e da cidade, que marcou este 8 de março em Porto Alegre.

Desde o final de 2017, Thamilly e sua família moram na Ocupação de Mulheres Mirabal – um centro de referência estabelecido dentro de um prédio que ficou anos em desuso. “Hoje, Porto Alegre conta com apenas um centro de referência com apenas 11 vagas. Isso não corresponde a uma realidade em que uma mulher morre por violência doméstica a cada cinco minutos”, disse Zeidi Araujo Trindade, membro da organização do movimento 8M em Porto Alegre.

Manifestações tiveram início pela manhã, na Rodoviária de Porto Alegre | Foto: Joana Berwanger/Sul21

Entre bandeiras roxas e vermelhas, as mulheres se reuniram em um movimento de resistência. “Se nossas vidas não importam, que produzam sem nós”, gritaram as manifestantes. A concentração foi iniciada por volta das 7 da manhã na Rodoviária de Porto Alegre. De lá, seguiram pela Avenida Mauá até o Paço Municipal. Em frente à Prefeitura, fizeram críticas ao prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB), denunciando o desmonte da assistência social assim como a perda de direitos de professoras e das terceirizadas do município.

Uma intervenção do Movimento 8M marcou no asfalto da rua 7 de setembro os contornos da violência feminina. A cada batida no bumbo, uma mulher ao chão. “A cada cinco minutos, uma mulher é morta no Brasil. A cada dois minutos, uma mulher é estuprada no Brasil. A cada minuto, no Brasil, uma mulher sofre algum tipo de violência”, disse uma das manifestantes, ao microfone. Enquanto isso, os corpos das ativistas no chão eram contornados por uma tinta branca, marcando as “que já tombaram pela falta de igualdade”.

Depois, a marcha subiu a Avenida Borges de Medeiros até a frente do Palácio Piratini. Divididas entre falas rápidas, as lideranças dos movimentos sociais denunciaram o desmonte da política de habitação e outras ações do governo José Ivo Sartori (MDB), como a extinção de fundações.

Logo depois, o caminhão seguiu para o Tribunal Regional Federal da 4ª Região onde a marcha encontrou um paredão formado por integrantes do Batalhão de Operações Especiais da Brigada Militar que impediam a passagem. As manifestantes deram as mãos viradas para eles enquanto convidaram os juízes a “sentir o que é não ter casa, a sentir que não tem direitos”. “Vocês são mimados e não tem noção dos privilégios que bancamos para vocês”, afirmou uma manifestante de cima do caminhão de som.

Após o encerramento da marcha, uma assembleia de mulheres está marcada para acontecer, às 15h na Esquina Democrática e, às 17h, ocorrerá o ato pelo Dia Internacional de Luta pelas Mulheres, seguido de uma caminhada até o Largo Zumbi dos Palmares.

Mulheres em marcha por direitos | Foto: Joana Berwanger/Sul21