FEIPOL-SUL

FEDERAÇÃO INTERESTADUAL DOS TRABALHADORES POLICIAIS CIVIS DA REGIÃO SUL

A quinta feira (03) vai ficar marcada na memória de todos(as) Agentes da Policia Civil do RS. No dia anterior, o Inspetor de Polícia Leandro de Oliveira Lopes fora brutalmente assassinado quando participava de uma operação policial no Vale do Caí. A morte de Leandro, a segunda em menos de um ano ocorrida em operações, expõe a fragilidade do modelo de segurança vigente no RS. Mais um triste capítulo de um governo lamentável.

Assim que ficaram sabendo da morte de mais um colega, Agentes de todo o estado passaram a exigir uma resposta do sindicato. “A vida de um policial civil interrompida de forma trágica, em hipótese alguma pode ser relativizada. É preciso gritar muito alto, a sociedade precisa saber que um policial morreu defendendo a sociedade e o direito das pessoas à cidadania”, afirmou Isaac Ortiz, presidente da Ugeirm.

Em poucas horas a categoria decidiu realizar um dia de paralisação e um sirenaço que marcariam o dia de LUTO e serviriam de alerta para as autoridades. Um comboio de viaturas sairia do frente do Palacio da Policia até o local do sepultamento de Leandro, em Guaíba.

A partir das 8h da manhã, atendendo à convocação da Ugeirm, policiais civis de Porto Alegre e da Região Metropolitana começaram a se reunir no Palácio da Policia, em Porto Alegre, e em frente às delegacias do interior do estado. Nos departamentos e delegacias, tudo parado.

Policiais federais e da Força Nacional se juntaram aos (às) policiais civis, formando uma pequena multidão. Às nove horas o comboio partiu, com as sirenes ligadas, pelas ruas de Porto Alegre em direção à Guaíba, para dar o adeus ao colega que teve a sua carreira e seus sonhos interrompidos a tiros. Leandro ingressara na Policia Civil há cinco meses e era descrito como profissional dedicado e muito querido pelos colegas.

Em Guaiba, pontualmente às 10h, um sirenaço foi realizado. O gesto se repetiu em cada umas das delegacias do estado.  A enorme quantidade de viaturas e de policiais civis, policiais federais e policiais militares e integrantes da força nacional, dava conta da importância daquele ato. “É preciso um basta, a morte, em nenhuma hipótese, deve ser encarada como algo inerente à profissão. Isso é um mito que devemos refutar com todas as forças”, destacou a diretora da UGEIRM, Neiva Carla.

Segunda morte de Policial Civil em operação não é fatalidade

Leandro é o segundo Policial Civil que a sociedade gaúcha perde, no exercício do seu dever, em menos de um ano. Assim como Rodrigo Wilsen, morto em junho do ano passado, Leandro participava de uma Operação Policial quando foi baleado por bandidos. Não dá para creditar duas mortes, em um período de menos de um ano, à fatalidade. É necessário que se faça uma avaliação profunda sobre os procedimentos adotados nas Operações Policiais. A SSP e a Polícia Civil precisam abrir, imediatamente, um processo de discussão onde os(as) Agentes e delegados (as) sejam ouvidos(as).

Os(as) Policiais Civis estão na linha de frente das Operações, sendo os mais indicados para avaliar e propor medidas que melhorem a sua segurança, tornando-as mais eficientes e seguras. “Duas mortes em um curto espaço de tempo é um sinal óbvio de que algo não está funcionando. A categoria tem se queixado fortemente do excesso de operações e da fadiga que essa situação tem causado. Quem administra a policia tem a obrigação de interromper essas operações e reavaliá-las”, enfatiza Isaac Ortiz, presidente da Ugeirm.

A Ugeirm realizará, no dia 15 de maio, uma reunião do seu Conselho de Representantes, onde, entre outras discussões, será feito um debate sobre as Operações Policiais, com a finalidade de ouvir dos diversos representantes as suas contribuições acerca desse tema. “ Os representantes foram orientados a debater nos locais de trabalho a situação atual por que passam os policiais civis. Temos inúmeros problemas, o excesso de operações e a pressão por metas, certamente, estão entre os mais danosos”, afirma o diretor da UGEIRM, Pablo Mesquita.

Ao invés de solidariedade, tentativa de retaliações

Foi com surpresa que a UGEIRM recebeu, das diversas regiões do RS, a informação que havia partido da chefia de policia, orientação para que fossem apontados aqueles policiais que aderissem à paralisação convocada pelo sindicato. Conforme a direção da Polícia Civil, o movimento paredista era ilegal. “Diferente de outras ocasiões, a paralisação convocada para o dia 3 de maio, tinha um significado muito especial. Um policial civil perdeu sua vida e a culpa vai além da mão assassina que apertou o gatilho. A sociedade precisa saber disso”, afirmou Ortiz. “Um de seus profissionais morre de forma violenta e a policia tem que continuar trabalhando como se nada houvesse acontecido? De jeito nenhum! Nos recusamos a ser somente estatística, vamos parar e protestar sempre que uma tragédia dessas ocorrer” encerrou o presidente da Ugeirm, Isaac Ortiz.