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Em nome de morto usado para fraude de R$ 1,7 mi na Carris foram feitas doações para candidatos do MDB em 2014 e 2016.

Pelo menos três doações nominais à Campanha de 2014 do governador José Ivo Sartori são provenientes da mesma identidade falsa utilizada na fraude de R$ 1,7 milhão na Companhia Carris Porto-Alegrense divulgada nesta quarta-feira, 9. As informações são públicas e constam no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ao todo, foram R$ 5 mil destinados a pagamentos de despesas na Campanha de 2014, registradas em nome de Alexandre Marc Klejner, identidade falsa de um menino morto em 1961, utilizada pelo operador do MDB, Ivsen Gonçalves, 58 anos, investigado pela Promotoria de Justiça Especializada Criminal e  Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado Núcleo Capital (Gaeco).

Outros candidatos do MDB receberam doações diretas ou por terceiros de Ivsen nas Campanhas Eleitorais de 2014 e 2016, conforme a investigação.

Ivsen era  cargo de confiança (CC) na Carris indicado pelo  MDB, que participava da base do então governo Fortunatti, na Prefeitura. Até o momento da sua prisão, o falsário era CC da Câmara de Vereadores na bancada do partido. O MDB anunciou sua expulsão logo após o episódio vir à tona.


Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na manhã de quarta- feira, 9. Foto: MPE-RS/Divulgação

PROMOTORIA – Conforme as investigações coordenadas pelo promotor de Justiça Flávio Duarte, ainda em 1996, Ivsen, enquanto funcionário da Carris fez uma carteira de identidade falsa em Santa Catarina em nome de uma pessoa que havia falecido em 1961.

De acordo com o MPE essa documentação, além de comprar automóveis e abrir contas em bancos, ele figurou como acidentado e beneficiário direto de indenização paga pela Carris, ocasião em que recebeu diretamente mais de R$ 365 mil. Depois, o falsário passou à condição de advogado, com número de inscrição na OAB no nome do falecido, com diversas ações indenizatórias em nome de vítimas por ele inventadas. Os cheques de pagamento das indenizações das ações artificiais foram endossados para ele.

A fraude ocorreu entre agosto de 2015 e janeiro de 2017. A investigação foi instaurada a partir do recebimento de notícia-crime apresentada pela atual administração da Carris sobre os desvios, relativos a pagamentos de acordos e condenações judiciais fictícios, com a utilização de documentos falsos. Em uma das ações, o suposto beneficiário estava morto 12 anos antes de o acidente que gerou a indenização ocorrer. Em outro caso, foi forjado um documento como sendo oriundo do Tribunal de Justiça do Estado, com logotipo, número de processo e nome falsos.

As investigações dão conta que mais de R$ 100 mil foram aplicados apenas em joias; além disso, os valores das indenizações foram utilizados na compra de veículos, em depósitos para parentes e conhecidos, além de doações para campanhas eleitorais em nome da pessoa falecida em 1961 e por intermédio de terceiros. O MP investiga a participação de outras pessoas que integravam a administração da Carris na época.

Fonte: Jornal Extraclasse

*Com informações do Ministério Público Estadual (MPE) e Tribunal Superior Eleitoral (TSE)