FEIPOL-SUL

FEDERAÇÃO INTERESTADUAL DOS TRABALHADORES POLICIAIS CIVIS DA REGIÃO SUL

DPPA do Centro passa hoje a receber prisões de São Leopoldo à noite, finais de semana e feriados 

Está entrando em vigor uma mudança que vai mexer com a segurança pública no Vale do Sinos. A partir desta sexta-feira (1), a Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de Novo Hamburgo, que já faz o plantão de outras nove cidades, passa a atender mais quatro, entre elas São Leopoldo, em casos de prisão em flagrante.

O motivo: falta de delegado. A medida, que vale para o período da noite, finais de semana e feriados, vai concentrar ainda mais movimento na já conturbada Central de Polícia, que abriga a DPPA, na Rua Júlio de Castilhos, Centro. Agora, por exemplo, quando brigadianos de São Leopoldo prenderem traficantes com drogas, terão que levá-los a Novo Hamburgo. As duas cidades chegam ao pico de sete flagrantes numa noite, cada uma. “Diante da escassez de delegados, foi a alternativa que encontramos, entre as várias estudadas, no sentido de buscar a melhor solução. Vamos acompanhar o quadro e fazer os ajustes que se fizerem necessários”, declara o diretor da Polícia Civil no Vale do Sinos, delegado Rosalino Constante Seara. Ele frisa que, há dois anos, só vem sendo possível escalar um delegado plantonista na região, que respondia pelas DPPAS de Novo Hamburgo e São Leopoldo.

Presença

“É comum dar flagrante simultaneamente nas duas delegacias, mas a autoridade policial não tem como estar nas duas ao mesmo tempo, para acompanhar de perto. Isso gerava situações complicadas, como um advogado exigir a presença do delegado, o que é legítimo, mas era inviável. Chegou ao ponto que tivemos que resolver, centralizando em Novo Hamburgo com um delegado presencial para todos os casos”, expõe o diretor.

Central de TCs será inaugurada

Para aliviar a sobrecarga no plantão em razão da maior concentração de flagrantes, que têm preferência na fila, o diretor regional anuncia para semana que vem, em dia ainda não definido, a inauguração da Central de Termos Circunstanciados (TCs). “Vai funcionar em sala já organizada para o serviço, dentro da DPPA, para atender às pessoas que vêm registrar ocorrências de crimes de menor potencial ofensivo, como ameaça, lesão, danos, injúria.” Rosalino salienta que a Prefeitura de Novo Hamburgo cedeu cinco estagiários para viabilizar a Central de TCs, que vai funcionar das 8 às 20 horas. “Esse novo setor vai diminuir 30% do volume de ocorrências do plantão 24 horas.”

Diretor destaca conversa com Brigada

Segundo Rosalino, a mudança exigiu complexo planejamento. “Tivemos que articular diversas situações, entre elas o alinhamento das mudanças com a Brigada Militar, em conversas com o comandante Daniel. Combinamos, por exemplo, que ao efetuar prisão em São Leopoldo, os PMs levem o detido a Novo Hamburgo somente quando puderem ser atendidos. Enquanto isso, deixam o preso na DPPA de São Leopoldo e não desguarnecem a cidade.”

“Vamos ter que nos adaptar”, diz coronel

Titular do batalhão de São Leopoldo e comandante interino da Brigada do Vale do Sinos, o tenente-coronel Carlos Daniel Schultz Coelho diz que ainda é cedo para avaliar os desdobramentos da mudança. “Claro que o ideal é ter o atendimento em São Leopoldo, mas vamos ter que nos adaptar. Isso vai gerar mudança nas nossas ações, mas ainda é cedo para falar nos reflexos. A gente vai verificar se, depois, for necessário ajustes.”

Baixo efetivo é administrado

De acordo com Rosalino, dois agentes da DPPA de São Leopoldo reforçarão o órgão de Novo Hamburgo. “É o que podemos fazer inicialmente para compensar o aumento da demanda, pois temos que deixar servidores para atendimento em São Leopoldo, que continuará com flagrantes durante o dia e ocorrências que não sejam de prisão nas 24 horas. Além disso, temos três de licença, que ainda não sabemos quando voltam.”

Situação insustentável

O plantão executado por um único delegado em duas DPPAS com elevado volume de trabalho, conforme Rosalino, era insustentável. Muitos flagrantes não eram acompanhados de perto pela autoridade policial responsável. Um agente relatava por telefone a situação para o delegado decidir se era caso de flagrante e, em caso positivo, delegar o enquadramento do preso. A situação era cobrada por Ministério Público, Defensoria Pública e advogados. “Tivemos que otimizar os recursos para garantir um delegado de forma presencial em todos os flagrantes.”

“Vai ser um horror”

Contrários à mudança, inspetores e escrivães plantonistas de Novo Hamburgo chamaram a Ugeirm Sindicato, que representa a categoria. A diretoria, que se reuniu quarta com o chefe da DPPA de Novo Hamburgo, delegado Tarcísio Kaltbach, se diz preocupada. “Vai estourar no lado mais fraco. De um lado os policiais, que já vivem sob estresse e vão ficar ainda mais sobrecarregados, e a população, que vai ser prejudicada no atendimento à noite, pois flagrante tem preferência. Vai ser um horror”, diz a vice-presidente da Ugeirm, Neiva Carla Back Leite. A sindicalista acrescenta que a DPPA de São Leopoldo está em situação precária e que a Ugeirm já pediu a interdição.

Os plantonistas alertam para a deterioração da DPPA de Novo Hamburgo, que pode ficar ainda mais superlotada de presos enquanto aguardam vagas nos presídios. Os agentes também dizem que o reforço de dois policiais é ínfimo. “Há equipes com três e outras com quatro. Com a unificação, todas ficarão com quatro, o que é muito insuficiente”, diz um policial, que pede para não ser identificado.

Fonte: Jornal de NH