FEIPOL-SUL

FEDERAÇÃO INTERESTADUAL DOS TRABALHADORES POLICIAIS CIVIS DA REGIÃO SUL

Para traficantes, ter um fuzil significa mais do que ter força para combater rivais, mas também um símbolo de ostentação

As apreensões de fuzis, consideradas armas de guerra e de alto poder destrutivo, cresceram 43% no Rio Grande do Sul no primeiro semestre de 2018. Segundo dados fornecidos pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) a pedido de GaúchaZH, foram 43 armas do tipo apreendidas nos seis primeiros meses do ano. No mesmo período de 2017, as forças policiais gaúchas recolheram 30. 

A Polícia Civil foi a responsável pela retirada da maioria dos fuzis das mãos dos criminosos, que os usam na guerra do tráfico de drogas e para grandes roubos, como a bancos e carro-forte. Só a corporação apreendeu 23 fuzis com criminosos. Em uma única ação, em Estrela, no Vale do Taquari, em 26 de junho, a polícia encontrou 14 armas do tipo, que seriam de uma das maiores facções gaúchas do tráfico de drogas. No mesmo período do ano passado, a polícia havia encontrado nove armas como essa. 

A Brigada Militar também encontrou armamento pesado nas mãos de criminosos no primeiro semestre. Foram 20 fuzis apreendidos por policiais militares no Estado em 2018. Nos primeiros seis meses do ano passado, foram 21. Diferentemente da Polícia Civil, que em uma só ação encontrou um arsenal, a maioria das apreensões feitas pela BM foram de uma unidade cada, com traficantes da Região Metropolitana.

Se por um lado demonstra maior poder bélico na mão de bandidos, o aumento das apreensões é comemorado pelo chefe de Polícia Civil do Rio Grande do Sul, Emerson Wendt. Em sua avaliação, o crescimento das apreensões é resultado do enfoque da polícia no combate às grandes facções criminosas do Estado.

— As facções acabam se municiando com armamento pesado justamente para manter ou ampliar território. Cada vez que fizemos apreensão grande de armamento, principalmente pesado, é uma vitória para a segurança pública — avalia o chefe de polícia.

Para os traficantes, ter um fuzil significa mais do que ter força para combater rivais. É, também, símbolo de ostentação. A avaliação é do delegado Juliano Stobbe, de Lajeado, no Vale do Taquari. Ainda nesta terça-feira (17), agentes de sua delegacia prenderam dois homens, de 23 e 30 anos, que aparecem em um vídeo feito por criminosos e divulgado via redes sociais em que um deles dá rajadas com um AK-47 para o alto. Os outros homens incentivam, gritando é o aço, é a potência. 

— Aquilo ali (vídeo) foi um legítimo momento de ostentação de poderio bélico. Não é só para amedrontar rivais, já que a facção deles já tem domínio de tráfico drogas na cidade, mas para mostrar a arma que possuem — explica o policial.

Fuzis perfuram blindados e coletes
O consultor em segurança Dempsey Magaldi explica o risco que é um fuzil nas mãos de criminosos. Segundo ele, fuzis são armas de grande capacidade de alcance, precisão e penetração, além de alguns exemplares terem a capacidade de atirar até 600 vezes por minuto.

— São armas que perfuram blindados, que perfuram coletes à prova de balas, que são capazes de transpor vários elementos e ter grande alcance. Ela é muito perigosa em uso urbano, porque muitas vezes ela vai além do alvo. Quando usada por bandidos, o risco é muito grande, já que é preparada para uso exclusivo militar.

As armas não são comercializadas no Brasil. Investigações da Polícia Federal apontam que a maioria dos fuzis entra no Brasil através de rotas terrestres na fronteira com o Paraguai, Bolívia e Argentina.

Outras armas
Outras armas de alto poder encontradas nas mãos de criminosos são as submetralhadoras. Somadas as apreensões da BM e Polícia Civil, 15 foram recolhidas, um aumento de 25% em comparação com 2017, quando foram encontradas 12.

A Polícia Civil também aumentou o número de apreensões de pistolas em 2018. Já são 346 armas do tipo apreendidas no ano, contra 298 nos primeiros seis meses de 2017.

Se consideradas todas as armas apreendidas pelas polícias gaúchas no primeiro semestre, foram 5.091 unidades. A BM foi responsável por 3.059 e a Polícia Civil, por 2.032. 

Fonte: GauchaZH