FEIPOL-SUL

FEDERAÇÃO INTERESTADUAL DOS TRABALHADORES POLICIAIS CIVIS DA REGIÃO SUL

A população gaúcha escolheu, no dia 28 de outubro, o candidato do PSDB, Eduardo Leite, para governar o Rio Grande do Sul nos próximos quatro anos. A eleição do ex-prefeito de Pelotas significou a derrota da política implementada, desde 2015, pelo atual governador José Ivo Sartori. Candidato à reeleição, o atual ocupante do Palácio Piratini foi derrotado e teve a sua política de ataque aos servidores públicos, corte de investimentos públicos e desmonte dos serviços públicos, rejeitada pelos(as) gaúchos(as).

O novo governador terá grandes desafios para os seus próximos quatro anos de governo. Retomar a capacidade de investimento do estado, recuperar os serviços públicos que foram sucateados pelo governo Sartori, colocar os salários dos servidores em dia e concretizar uma política de segurança que combata efetivamente a verdadeira epidemia de violência vivida pelos(as) gaúchos(as), são apenas as tarefas mais urgentes que aguardam o novo ocupante do Palácio Piratini a partir do dia 1º de janeiro de 2019.

Policiais Civis terão que se mobilizar para garantir seus direitos

Após quatro anos de severos ataques, com salários em atraso, tentativas de retirada da aposentadoria policial, desmonte estrutural da polícia civil, presos superlotando as carceragens das delegacias de polícia e o maior déficit de pessoal da história, os policiais civis precisam estar preparados para pressionar o próximo governo e propor políticas que revertam essa situação. Durante a campanha eleitoral, a UGEIRM apresentou a todos os candidatos as propostas da categoria para a segurança pública (veja aqui). Esse programa foi entregue ao futuro governador, quando da sua visita à sede do sindicato antes do primeiro turno.

Definido o próximo ocupante do Palácio Piratini, o papel dos(as) policiais civis, será abrir um canal de diálogo com o novo governo, afim de discutir as nossas propostas e ouvir os projetos do novo governo para reverter a situação calamitosa em que se encontra o nosso estado.

Eduardo Leite já assumirá com um desafio urgente: colocar em dia os salários dos servidores públicos. No debate realizado na sede da UGEIRM, o então candidato se comprometeu em regularizar os salários dos servidores ainda no seu primeiro ano de governo. Diante da situação deixada pelo atual governador, onde, provavelmente, os salários de novembro, dezembro e o 13º estarão atrasados, o desafio enfrentado por Eduardo Leite será considerável.

Eleição de Jair Bolsonaro traz reforma da previdência de volta à pauta

No plano federal, a eleição de Jair Bolsonaro, do PSL, trouxe de volta a discussão da reforma da previdência. Com ela, temos novamente a possibilidade de fim da aposentadoria policial. Antes mesmo de tomar posse, as notícias não são nada animadoras para os servidores públicos. Apesar das informações desencontradas, com setores do novo governo se desmentindo repetidamente, uma certeza já existe: uma das primeiras ações do novo governo será a retomada do projeto de reforma da previdência. Ainda não se sabe se o governo Bolsonaro ressuscitará o projeto do governo Temer com algumas adaptações, ou se enviará um novo projeto para o Congresso Nacional.

Até mesmo a hipótese de retomada da votação do projeto que se encontra no Congresso, ainda no fim do governo Temer, foi levantada por integrantes da equipe do governo Bolsonaro. Apesar dessa possibilidade ser de difícil execução, pois dependeria do fim da intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, ela não foi descartada totalmente.

Independente da forma que será encaminhada pelo novo governo, uma certeza existe: os policiais precisarão se mobilizar de forma intensiva para assegurar os seus direitos.

A direção da UGEIRM já está se movimentando. Um pedido de audiência com o futuro Ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro, o gaúcho Ônix Lorenzoni, já foi encaminhado pelo sindicato. Em outra frente, a COBRAPOL já está se articulando nacionalmente para mobilizar os deputados identificados com a segurança pública para garantir a manutenção da aposentadoria policial. Porém, todas essas articulações só terão resultado se respaldadas por uma grande mobilização na base da categoria. A derrota do governo Temer e seu projeto de reforma da previdência, só aconteceu após uma grande mobilização dos policiais, com marchas à Brasília e grande pressão na base parlamentar do governo. Essa mobilização precisa ser repetida em uma escala ainda maior no próximo ano, para que o direito histórico da aposentadoria não seja retirado.