FEIPOL-SUL

FEDERAÇÃO INTERESTADUAL DOS TRABALHADORES POLICIAIS CIVIS DA REGIÃO SUL

O Sinpol se solidariza com a situação caótica que se encontram os Policiais Civis de Roraima. A categoria realizou uma paralisação de 72 horas. Os servidores cobram o pagamento de salários atrasados e melhorias nas condições de trabalho, uma vez que falta desde o papel aos serviços de limpeza nas unidades.

A manhã desta quinta-feira (6/12) foi marcada por mais manifestações públicas e ânimos exaltados na Central de Flagrantes do 5º Distrito Policial (5º DP), local escolhido por agentes da Polícia Civil para a paralisação de 72 horas da categoria, e Cadeia Pública Masculina de Boa Vista (CPMBV), onde estão concentradas os atos dos agentes penitenciários.

No caso da Polícia Civil, os profissionais concentrados na delegacia foram surpreendidos com a visita do promotor de justiça do Ministério Público de Roraima (MPRR), Masato Kojima, que segundo os manifestantes, determinou que todos os agentes voltassem ao trabalho, sem qualquer estabelecimento de diálogo sobre a questão dos salários atrasados dos servidores do órgão.

“O promotor veio apenas para colocar mais gasolina no fogo. Nós policiais civis, assim como os demais servidores do Estado, estamos há meses sem receber. Não temos mais alimento em casa, nossas contas estão em atraso e senhor promotor aparece aqui, querendo impor condições, sendo que nós não temos estrutura para as atividades, e o que é pior, não ofereceu nenhum tipo de solução para resolver essa situação”, disse José Nilton, secretário da Federação dos Policiais Civis da Região Norte (Fepolnorte).

Desde as primeiras horas desta manhã, os repórteres do Grupo Folha têm acompanhado as mobilizações dos servidores no 5º DP. Durante a passagem do promotor do MP, um dos nossos colaboradores tentou acompanhar a reunião dele com o delegado plantonista, Glauber Lorenzini, e representantes do Sindicato dos Policiais Civis de Roraima (Sindpol), mas além de ter o pedido negado, o profissional foi pressionado a deletar um vídeo que havia registrado da ação.

“Segundo que os representantes me repassaram, ele [Promotor do MP] queria saber o que estava funcionando, nós informamos que a equipe que estava escalada para trabalhar se encontrava na delegacia e ele questionou porque não estava sendo realizado o atendimento, sendo que a paralisação foi comunicada aos órgãos e que não havia estrutura para as atividades”, contou o presidente do Sindpol, Leandro Almeida.

Diante da situação, alguns manifestantes acabaram se exaltando. Barricadas foram montados em frente à delegacia para dificultar a passagem de veículos. Até mesmo os pneus do carro que trouxe o promotor foram esvaziados, sendo necessária a presença de viaturas do Grupo de Resposta Tática (GRT) para retirá-lo do local. Na saída, o promotor foi vaiado e os servidores gritavam a palavra “omisso”.

Vale lembrar que a paralisação de 72 horas da Polícia Civil foi aprovada após assembleia geral realizada pela categoria na segunda-feira, 3. Além dos serviços do 5º DP, as delegacias do interior e os serviços do Instituto Médico Legal (IML) também foram incluídos na mobilização. Os servidores cobraram o pagamento de salários atrasados e melhorias nas condições de trabalho, uma vez que falta desde o papel aos serviços de limpeza nas unidades.

SINDAPE ANUNCIA FECHAMENTO DE UNIDADES PRISIONAIS

Também nesta quinta, os agentes penitenciários decidiram que vão fechar todas as unidades prisionais do Estado até que o Governo tome providências a cerca dos salários atrasados. Apenas a oferta de alimentos será mantida.

A decisão foi tomada após a realização de uma assembleia geral, a portas fechadas na Cadeia Pública Masculina de Boa Vista (CPMBV), convocada pelo Sindicato dos Agentes Penitenciários de Roraima (Sindape-RR).

Ao final da reunião, os agentes se deslocaram em direção a entrada da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc), no bairro São Vicente, e atearam fogo em pneus.

Em ambas as situações, a reportagem entrou em contato com o Governo do Estado e Ministério Público de Roraima (MPRR), e aguarda posicionamento destas entidades.

Com informações do Jornal Folha de Boa Vista