FEIPOL-SUL

FEDERAÇÃO INTERESTADUAL DOS TRABALHADORES POLICIAIS CIVIS DA REGIÃO SUL

A sexta-feira (29) foi um dia de protesto para a Polícia Civil gaúcha. Desde as 11 horas da manhã, centenas de policiais civis e servidores da SUSEPE já se reuniam na frente da Secretaria de Segurança Pública, no Centro de Porto Alegre. Com faixas e vestindo a camisa da Polícia Civil, os policiais protestavam contra o desmonte da segurança pública promovido pelo governo Sartori/PMDB. Próximo do meio dia, quando o número de policiais e servidores da SUSEPE já era bem grande, os manifestantes entraram na Secretaria de Segurança Pública e fizeram um protesto. O presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, e o presidente da AMAPERGS/Sindicato (Sindicato dos Agentes Penitenciários Gaúchos), Flavio Berneira, se dirigiram aos servidores da segurança pública, informando que subiriam e entregariam, na Secretaria de Segurança, um ofício com as reivindicações da segurança pública e pedindo o fim dos parcelamentos de salários.

Uma comissão com representantes da UGEIRM e da AMAPERGS, foi recebida pelo secretário interino da SSP, coronel Everton Oltramari, pois o Secretário Cezar Schirmer se encontra em férias. Na reunião, o presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, relatou os problemas que os profissionais da segurança pública têm enfrentado desde o início do governo Sartori/PMDB e as dificuldades causadas pelos 22 parcelamentos de salários desde o início desse governo. O Secretário interino recebeu o ofício e afirmou que reconhece as dificuldades das categorias, porém, repetiu os mesmos argumentos apresentados desde o início do governo e, ainda, apresentou como solução a renegociação da dívida com a União. No que foi questionado por Isaac Ortiz, que afirmou que, com a renegociação, “o arrocho e as dificuldades dos policiais serão ainda maiores do que são agora”.

Após a reunião na Secretaria de Segurança, os Policiais Civis e Agentes Penitenciários seguiram em caminhada até a Secretaria da Fazenda, onde protestaram contra o parcelamento dos salários, mostrando para a população que os policiais que cuidam da segurança do estado, estão sem salários neste mês. Afirmaram, ainda, que os culpados disso são o governador do estado e o secretário da Fazenda, Giovani Feltes. Na Secretaria, os servidores da Segurança ocuparam toda a escadaria na frente do prédio e depois seguiram até o Largo Glênio Peres, onde se encontraram com as outras categorias de servidores públicos estaduais.

Servidores fazem maior ato público do ano contra Sartori

No Largo Glênio Peres, uma multidão ocupava a praça. Milhares de servidores estaduais, grande parte formada por professores que participaram da Assembleia do CPERS que deliberou pela continuidade da sua greve, ocupavam a praça. Do carro de som, a caminhada da Segurança Pública foi saudada pelos dirigentes sindicais, que afirmaram a importância da unidade dos servidores públicos, nesse momento em que a sua grande maioria está sem salários. O presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, subiu no carro de som e se dirigiu ao conjunto dos servidores, afirmando que o governo Sartori está “destruindo o Estado”. “Já atingimos a marca de 7.133 homicídios neste governo do PMDB. Não podemos aceitar que eles sigam destruindo o nosso Estado”, concluiu Ortiz.

Do Largo Glênio Peres, os dezenas de milhares de servidores seguiram em caminhada pela Borges de Medeiros até o Palácio Piratini. Ao chegarem na Praça da Matriz, encontraram o Palácio cercado por grades e por homens do pelotão de choque da Brigada Militar. Do alto do caminhão de som, o diretor da Ugeirm, Cládio Abel Wohlfahrt lembrou que muitos brigadianos que estavam ali também não receberam seus salários. Segundo a Associação Beneficente Antonio Mendes Filho (Abamf), os brigadianos deverão receber seus salários de setembro somente no dia 11 de outubro. O ato em frente ao Palácio Piratini foi rápido. Após as intervenções de Isaac Ortiz e Helenir Schürer (presidente do CPERS), chegou ao fim com uma convocação para um novo encontro, no mesmo local, na próxima terça-feira, para acompanhar a próxima sessão de votações na Assembleia Legislativa.

Dia de Mobilização foi demonstração de força dos/das policiais civis

A mobilização desta sexta-feira (29), mostrou que o governo não vai ter sossego enquanto não regularizar os salários dos servidores. Os professores mantiveram sua greve. Outras categorias já se programam para não irem trabalhar a partir de segunda-feira, apoiados na liminar da justiça que proíbe o corte de ponto dos servidores que estão sem salários. Os policiais civis, mesmo proibidos de fazer greve, manterão a operação padrão, com a não participação nas operações policiais e o não cumprimento das metas do Programa Qualificar. Na terça-feira (3), os servidores voltarão à Praça da Matriz, dessa vez para impedir a aprovação das propostas do governo Sartori/PMDB que tramitam na Assembleia Legislativa. Para o presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, “essa sexta-feira mostrou o caminho para a polícia civil. Somente a nossa mobilização impedirá esse governo de destruir a segurança pública gaúcha. Não podemos aceitar essa situação. Sem salários, sem promoções e sem aposentadoria”, concluiu Ortiz.