FEIPOL-SUL

FEDERAÇÃO INTERESTADUAL DOS TRABALHADORES POLICIAIS CIVIS DA REGIÃO SUL

A população gaúcha assistiu, nesse fim de semana, mais um festival de violência e barbárie. Se os (as) gaúchos (as) já pareciam anestesiados com os índices absurdos de homicídios a cada fim de semana, no domingo acordou com a sensação de estar na Colômbia da década de 1980. Em Gravataí, um grupo de bandidos parou seus carros na saída de uma festa e abriu fogo, com armas de grosso calibre, contra, pelo menos, 200 jovens que participavam de uma festa. O saldo foi de 2 mortos e mais de 30 feridos.

O espantoso silêncio de Sartori/PMDB e Cezar Schirmer

Além do espanto de ver a violência assumir proporções assustadoras. Ainda tivemos que constatar o silêncio total do Secretário de Segurança Pública, Cezar Schirmer, e do governador, José Sartori/PMDB. Até o início da tarde de segunda-feira (23), Schirmer não havia dado uma única declaração sobre o ocorrido. O governador Sartori/PMDB, também não havia se pronunciado até o momento. Em um momento como esse, o mínimo que se espera é uma entrevista coletiva imediata, com os governantes se solidarizando com as vítimas e explicando à população o andamento das investigações.

Quando se manifestou, já na tarde de segunda-feira, o Secretário de segurança apareceu para desferir as bravatas já conhecidas e que servem apenas para dar a impressão de que o Estado tem o controle da situação. Além dos lugares comuns de ameaças aos criminosos, o Secretário ainda tem a coragem de dizer que o ataque foi um ponto fora da curva. Em uma cidade, onde o número de homicídios teve um aumento de 36% em 2017 e que registrou o caso, onde dois jovens cavaram a própria cova antes de serem assassinados, falar que o ataque do fim de semana é um ponto fora da curva é brincar com a inteligência dos gaúchos. Bastaria o Secretário passar na frente da DPPA de Gravataí e ver os presos amontoados em viaturas e, talvez, tivesse o prenúncio do que estava por vir. O ataque de Gravataí é apenas mais um capítulo do desmonte da segurança pública, que começou a ser colocado em prática nos primeiros dias de mandato do atual governo.

Menos bravatas e mais diálogo e ação

A população gaúcha não pode mais ficar submetida a essa situação. O estado precisa, urgentemente, de uma verdadeira política de segurança pública. O presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, reafirma a proposta apresentada pela UGEIRM. “Essa é a hora do governo assumir seu fracasso na segurança pública. É urgente que o governo do estado chame os profissionais de segurança pública, as universidades, os outros poderes e a sociedade civil, para juntos propormos medidas concretas, num grande pacto pela segurança pública gaúcha. Uma proposta que vem alcançando bons resultados em outros locais é a instalação de um Gabinete de Gestão Integrada. Propostas como essa precisam ser discutidas no Rio Grande do Sul. A violência não será contida com bravatas e ameaças aos criminosos, e sim com uma verdadeira política de segurança pública e ela só será efetiva se for construída com diálogo e investimento público. Itens, infelizmente, totalmente ausentes do governo Sartori/PMDB até agora. O governo precisa sair da inércia e enfrentar de uma vez por todas essa calamidade social que atinge o povo gaúcho, antes que novas tragédias aconteçam”.