FEIPOL-SUL

FEDERAÇÃO INTERESTADUAL DOS TRABALHADORES POLICIAIS CIVIS DA REGIÃO SUL

Cena1. Você foi vítima de um crime e precisa ir até uma Delegacia de Polícia para fazer o registro oficial. Para além do balcão, o que te espera hoje nas Delegacias de Polícia do Estado são dezenas de presos amontoados a um passo de uma rebelião. As celas hoje são salas de dois metros quadrados com 30 pessoas dispostas a derrubar portas e paredes a qualquer momento. Nesses cubículos, sem qualquer cuidado, triagem ou isolamento, há presos com doenças contagiosas  como a tuberculose. Você está correndo risco de vida ao entrar em uma DP hoje. 
Cena 2. Mas o perigo não vem apenas de dentro das DPs. Se no interior, a insegurança grita, do outro lado das grades, os Policiais Civis enfrentam uma guerra particular. Aprendem na formação que, para haver segurança em uma operação policial, é necessário o equivalente de dois policiais para cada bandido.  Nos presídios improvisados, a correspondência é de seis presos para cada policial. Você não sabe, mas corre risco de vida ao permanecer em uma DP hoje.
Cena 3. Comparsas incentivados pela insegurança do local podem aproveitar os plantões com número ainda mais reduzido de policiais e invadir as DPs. Encontrarão lá, em primeiro lugar, você, que entrou sem saber em um barril de pólvoras.
Não importa o cenário. Você, cidadão, arrisca a vida ao entrar em uma Delegacia de Polícia. Assim como os Policiais Civis, que estão cumprindo uma função para a qual não prestaram concurso, não foram treinados e não são remunerados. Responsáveis pelas investigações de crimes, esses profissionais da Segurança Pública transformaram-se também em carcereiros.
Durante os plantões, ouvem ameaças, desaforos, gracejos. Em boa parte do mês de setembro, passaram por todos esses terrores com 350 reais depositados em suas já combalidas contas bancárias. Continue exercendo a abstração e imagine, por um momento, o estresse, a impotência, o medo que atormentam esses profissionais. É assim que vivem quase 5 mil Policiais Civis gaúchos.

A solução deste grave problema passa por gestão da Segurança Pública. Não será deixando criminosos nas ruas, livres para atormentarem a população, que o problema será  solucionado. Está na hora da Chefia da Polícia Civil se preocupar com as condições nas quais os policiais estão trabalhando, repensar o volume de operações policiais e garantir condições dignas de trabalho. 
A primeira preocupação deve ser garantir condições plenas para o desempenho das atribuições de seus comandados. É com eles que começa toda a política de Segurança Pública.