FEIPOL-SUL

FEDERAÇÃO INTERESTADUAL DOS TRABALHADORES POLICIAIS CIVIS DA REGIÃO SUL

SUPERLOTAÇÃO EM DELEGACIAS, UM PROBLEMA SEM SOLUÇÃO.

Um novo plano de fuga foi arquitetado, nos últimos dias pelos presos que estavam na carceragem do 11º Distrito Policial (DP), na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). Através de um túnel, cerca de 30 detentos fugiram. Um foi recapturado. No momento da fuga 166 homens estavam presos na delegacia e 31 teriam escapado. Os policiais de plantão entraram em contato com equipes da Polícia Militar (PM), que vieram em reforço para conter a confusão.  

A aparente calmaria não reflete o agravamento da situação vivida nas delegacias do Paraná com a superlotação e constantes fugas de presos. Para se ter uma idéia da gravidade da situação, esta é a sexta fuga registrada em lugares diferentes do Estado do Paraná, nos últimos dias. Em São José dos Pinhais fugiram 15 presos, no último dia 15, 07 presos foram capturados. No dia 10 de dezembro, 04 presos escaparam da delegacia de Rebouças, Região Central do Paraná, 02 foram capturados. No dia 13 de dezembro, 03 presos conseguiram escapar da delegacia da cidade de Prudentópolis, 01 foi capturado. No mesmo dia, 20 presos fugiram da cidade de Rio Negro e 04 foram capturados. No dia 03 de dezembro, um detento morreu e outro foi baleado ao tentarem fazer refém um agente da cadeia pública de Cambará. Um policial civil efetuou os tiros e evitou a fuga. Ainda na madrugada da última segunda-feira (18) foi registrada uma tentativa de fuga de presos do Cadeião de Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba.

Problemas antigos e sem solução

Os problemas são antigos e sempre os mesmos, a maioria das promessas anunciadas pelo governo do Estado ainda não foram cumpridas. Fabio Rossi Barddal Drummond, presidente do Sindicato das Classes Policiais Civis do Estado do Paraná-Sinclapol, vem denunciando há bastante tempo a superlotação de presos nas delegacias de diversas cidades do Paraná. De acordo com Barddal, as constantes fugas e rebeliões de detentos são tristes episódios já anunciados há muito tempo e vão continuar acontecendo, caso o Governo do Paraná não tome uma providência. “O problema maior é a falta de orçamento, nós não temos orçamento para a segurança pública. O Governo gasta dinheiro com comerciais para dizer que está tudo bem. Pode estar tudo bem, em outras áreas, onde há investimentos. Agora fica a pergunta, o que sobrou para a segurança e consequentemente para a Polícia Civil do Paraná?”, questiona o presidente do Sinclapol.

De 14 obras anunciadas pelo governo, 12 estão em fase de licitação. Barddal propõe um projeto para 20 anos ou mais, até 30 anos, destinado à Polícia Civil visando à reconstrução da instituição no Paraná para resolver o caos criado, com cadeias superlotadas e policiais em desvio de função.

A diretoria do Sinclapol já enviou um ofício à governadora, em exercício, Cida Borghetti solicitando uma audiência. O objetivo é saber se ela tem conhecimento da situação em que a Polícia Civil do Paraná se encontra. A idéia é sugerir um projeto para a Polícia com desenvolvimento a longo prazo.“Temos que resolver o problema. Não podemos continuar apagando incêndio,”conclui Fabio Rossi Barddal Drummond.